

No alto da Praça dos Sagrados Corações, no Centro de Brazópolis, ergue-se o monumento mais fotografado e mais querido da cidade: a Igreja Matriz de São Caetano de Thiene e Sant'Ana. Visível de praticamente qualquer ponto da cidade, ela não é apenas um templo — é o marco zero da história de Brazópolis, o lugar onde tudo começou.
A trajetória da Matriz confunde-se com a própria fundação do município. Por volta de 1835, a família Dias Chaves, proprietária da Fazenda Várzea Grande, construiu uma modesta capelinha dedicada a Sant'Ana no terreno onde hoje é a Praça dos Sagrados Corações. Dois anos depois, em 1837, com o crescimento do povoado da Vargem Grande, Ana Dias Chaves e seu pai Francisco doaram cerca de 30 alqueires para formalizar o patrimônio da nova obra.
O passo que mudou tudo veio em 1838: o Tenente Coronel Caetano Ferreira da Costa e Silva bancou a construção em troca de uma condição — o padroeiro seria trocado de Sant'Ana para São Caetano de Thiene. Ele foi até Portugal encomendar pessoalmente a imagem que ocupa o altar-mor até hoje. A partir daí, a localidade passou a se chamar São Caetano da Vargem Grande — nome que carregou por décadas até virar Vila Braz, em 1909, e Brazópolis, em 1923.
Em 1847, a capelinha original já não comportava mais a população. A necessidade de uma obra maior era urgente. As obras da nova e definitiva Igreja Matriz foram concluídas e o templo foi inaugurado em 3 de maio de 1878, com grande festa e missa com a participação de toda a comunidade. A última peça da construção — os sinos nas torres — foi colocada em 1884, concluindo a obra que você vê hoje.

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A imagem de São Caetano entronizada no altar-mor é uma das peças mais raras do acervo religioso do Sul de Minas. Esculpida em madeira, com batina preta, douramento e policromia sobre peanha retangular azul, a peça é datada possivelmente do século XVIII ou início do XIX e tem tratamento erudito característico da imaginária portuguesa da época.
Em abril de 2019, a imagem foi retirada do altar em cerimônia presidida pelo Pe. Elton, com a presença de centenas de fiéis, e enviada a São Paulo para restauro — prova de que a comunidade leva a sério a preservação desse patrimônio.
Construída com técnicas do século XIX, a Matriz une robustez e elegância. As paredes são de pilastra de alvenaria apoiada em base de pedra, com vedação em taipa de pilão, rebocadas e pintadas, e revestidas de pedra até meia altura tanto no exterior quanto no interior. As janelas exibem vitrais coloridos com motivos religiosos, as portas são de madeira lavrada em alto-relevo, e o piso combina granito cinza com detalhes em vermelho — com mármore reservado para os degraus do altar e o acesso à sacristia. Os adornos são em relevo de argamassa, com aquela sobriedade majestosa típica da arquitetura eclesiástica mineira.

No interior da Matriz há um elemento que faz qualquer visita se transformar em algo mais: um pequeno museu dedicado ao Monsenhor Joaquim de Oliveira Noronha, o amado Padre Quinzinho.
Nascido em Conceição dos Ouros em 1897, Quinzinho veio ainda bebê para Brazópolis e aqui construiu toda a sua vida. Ordenado sacerdote em 1920, chegou à paróquia em 1927 e ficou por 44 anos ininterruptos, pastoreando a comunidade com uma presença que os brazopolitanos nunca esqueceram. Faleceu em 16 de julho de 1971, aos 74 anos, em Pouso Alegre. Seu processo de beatificação está em andamento — a cidade acredita que o que os romanos chamariam de santidade de vida já foi provado de sobra.
No museu estão expostos pertences, vestes e objetos litúrgicos do monsenhor, transformando a visita à Matriz em um mergulho duplo: na história da cidade e na vida de um de seus filhos mais ilustres.
A Igreja Matriz fica na Praça dos Sagrados Corações, s/n – Centro, Brazópolis/MG. Chegando pela MG-295, no Trevo do Rotary, siga pela Rua Floriano Peixoto; ao final, vire à direita na Rua José Pereira da Rosa (em frente ao Mercado Municipal); suba pela Travessa Tobias Pereira à direita, suba a Ladeira Santos Lima e siga à direita até chegar à Praça dos Sagrados Corações.
Visite, fotografe e deixe o sinos da Matriz fazerem o resto.

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