No alto da Serra da Mantiqueira, entre os municípios de Brazópolis e Piranguçu, no Sul de Minas, fica um dos lugares mais extraordinários do país: o Observatório do Pico dos Dias (OPD) — o maior observatório astronômico em solo brasileiro. A 1.864 metros de altitude, cerca de 900 metros acima do nível médio da região, suas cúpulas brancas desenham uma silhueta inconfundível no céu de Brazópolis, um cenário que une ciência de ponta, natureza preservada e algumas das noites mais estreladas que se pode ver no Brasil.
Popularmente chamado de "Observatório Nacional Pico dos Dias", o OPD é operado e mantido pelo Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), unidade de pesquisa ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), com sede em Itajubá. Foi o primeiro Laboratório Nacional implantado no Brasil, em 1985, e até hoje é o coração da astronomia observacional brasileira.
A escolha do Pico dos Dias não foi por acaso. A altitude elevada, o céu limpo e a estabilidade atmosférica da Serra da Mantiqueira fazem do local um ponto privilegiado para enxergar o universo. Foi ali que, em 1980, o telescópio Perkin-Elmer de 1,60 metro — o maior em solo brasileiro — viu sua "primeira luz", entrando em operação científica plena em 1981. Desde então, o OPD acompanha gerações de astrônomos, estudantes e pesquisadores que sobem a montanha em busca das estrelas.
Cada instrumento do observatório carrega sua própria história. O telescópio Zeiss de 0,60 metro, por exemplo, foi adquirido da antiga Alemanha Oriental em uma negociação inusitada: uma troca por café brasileiro, ainda nos anos 1960/70. O equipamento chegou a ficar guardado por anos em Brazópolis antes de ser finalmente montado, em 1983. Já o telescópio Boller & Chivens de 0,60 metro foi instalado em 1992, fruto de um convênio entre o LNA e o Instituto Astronômico e Geofísico (IAG) da USP.

O conjunto do OPD é cercado por cerca de 360 hectares de Mata Atlântica nativa preservada, uma reserva protegida que faz parte da própria experiência de quem visita. As instalações científicas se distribuem pelo topo da montanha, dominadas pela grande cúpula de 15 metros de diâmetro que abriga o telescópio principal.
São três os telescópios principais em operação:
O OPD não parou no tempo. Os telescópios recebem atualizações constantes, e um dos destaques recentes é a câmera SPARC4, desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em conjunto com o LNA. Ela é capaz de observar simultaneamente em quatro bandas distintas, sem troca de filtros — uma capacidade rara entre os instrumentos astronômicos do mundo. Boa parte dos telescópios já pode, inclusive, ser operada remotamente, permitindo pesquisas sem que o astrônomo precise se deslocar até a montanha. Além de gerir o OPD, o LNA representa o Brasil nos consórcios internacionais dos telescópios Gemini e SOAR.
O OPD abre suas portas ao público, mas a visita exige planejamento. As visitas regulares acontecem somente em dias úteis, no período diurno e em datas predeterminadas — quando não há manutenção ou troca de instrumentos. Nelas, os visitantes conhecem as instalações, os telescópios e os instrumentos científicos, e ouvem um pouco da história do LNA e do OPD. Vale o aviso importante: por questões técnicas e operacionais, não há observação do céu pelo telescópio durante as visitas regulares diurnas.
O agendamento das visitas regulares é feito exclusivamente pela plataforma Sympla, conforme o calendário semestral divulgado no site oficial do LNA. As datas são bastante disputadas e limitadas, então a recomendação é acompanhar o calendário e se inscrever apenas com a certeza de comparecer. Dúvidas podem ser enviadas para o e-mail visitas@lna.br.
Para quem sonha em olhar pelas lentes, há uma oportunidade especial: o evento anual "Tarde e Noite de Portas Abertas no OPD". Nele, a entrada é gratuita, os visitantes permanecem na montanha das 14h às 22h e, se o tempo colaborar, podem fazer observação assistida pelos telescópios e câmeras digitais. Como a procura é enorme, os convites são limitados e distribuídos por sorteio, com inscrição divulgada no site do LNA nas semanas que antecedem o evento.

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O Observatório fica a cerca de 12 km de estrada de terra a partir da rodovia MG-295, no alto do Pico dos Dias. Está a aproximadamente 37 km de Itajubá, 250 km de São Paulo e 300 km do Rio de Janeiro. Por se tratar de um trecho de serra em estrada de terra, vale conferir as condições do caminho antes de subir e dirigir com atenção. E uma regra de ouro do local: a área é uma reserva de Mata Atlântica protegida — é proibido jogar lixo na estrada e colher flores ou plantas da mata.
Visitar o Observatório do Pico dos Dias é uma daquelas experiências que ficam para a vida. Se você quer unir turismo científico, ar puro de montanha e a imensidão do céu da Serra da Mantiqueira, programe-se: consulte o calendário de visitas no site do LNA, garanta seu agendamento e venha conhecer, bem aqui em Brazópolis, o maior observatório astronômico do Brasil.


Agendamento pelo LNA
Céu mais lindo do Brasil
Agendamento pelo LNA
Céu mais lindo do Brasil
A imponente cúpula de 15 metros abriga o Perkin-Elmer de 1,60 m, o maior telescópio óptico em solo brasileiro.
Um dos céus mais escuros e limpos do Sul de Minas. Nas noites de Portas Abertas, dá para observar pelos próprios telescópios do observatório.
Do alto do Pico dos Dias, a 1.864 m, a Serra da Mantiqueira se abre em toda a imensidão, cercada por mata atlântica preservada.
Tentar marcar data no link de contato.
1 a 2 vezes no ano tem o evento portas abertas.
A 11km do centro de Brazópolis, saindo da MG-295 acessando o bairro Bom Sucesso
A imponente cúpula de 15 metros abriga o Perkin-Elmer de 1,60 m, o maior telescópio óptico em solo brasileiro.
Um dos céus mais escuros e limpos do Sul de Minas. Nas noites de Portas Abertas, dá para observar pelos próprios telescópios do observatório.
Do alto do Pico dos Dias, a 1.864 m, a Serra da Mantiqueira se abre em toda a imensidão, cercada por mata atlântica preservada.
Tentar marcar data no link de contato.
1 a 2 vezes no ano tem o evento portas abertas.
A 11km do centro de Brazópolis, saindo da MG-295 acessando o bairro Bom Sucesso